A medalha de ouro conquistada por Renata Trevisan nos 68º Jogos Regionais, realizados neste mês de julho em Itatiba, é mais um capítulo de uma trajetória construída ao longo de 31 anos no karatê. Campeã na categoria individual feminina kumite até 55 kg e também medalhista na disputa por equipes representando Indaiatuba, ela acrescenta um novo título a uma carreira repleta de conquistas. Ainda assim, basta ouvi-la por alguns minutos para perceber que sua relação com o esporte dificilmente pode ser resumida pelas medalhas.
Quando fala sobre essa caminhada, Renata volta aos mesmos temas. Não aos títulos, mas aos valores que encontrou no karatê e ao privilégio de, hoje, transmitir tudo isso aos seus alunos.
“Foi no karatê que aprendi valores como disciplina, respeito, superação e coragem. Ele moldou não apenas a atleta, mas também a pessoa que me tornei.”
A frase resume a forma como ela enxerga o esporte. No decorrer dessas três décadas vieram títulos expressivos, como ser Campeã Pan-americana, Vice-campeã Sul-americana, Campeã Brasileira, Campeã dos Jogos Abertos e, também, Campeã dos Jogos Regionais. Mas, ao organizar a própria história, Renata demonstra que, embora saiba a importância de chegar ao pódio, é o que cada etapa lhe ensinou que guarda um significado especial.
Essa mesma perspectiva esteve presente durante a preparação para os Jogos Regionais. Além da rotina intensa de treinos e competições, ela enfrentou desafios pessoais que marcaram essa preparação.
“Foi muito além dos treinos. Foi um período de desafios físicos e emocionais. Enfrentei momentos difíceis na vida pessoal, mas escolhi continuar treinando e confiando no processo, mesmo quando não era fácil.”
Por isso, para ela, a medalha conquistada em Itatiba representa algo maior.
“Entrei focada em dar o meu melhor. Cada combate exigiu estratégia, concentração e determinação. O título dos Jogos Regionais representou a confirmação de que Deus honra aqueles que perseveram. Para mim, aquela medalha não simboliza apenas uma vitória esportiva. Ela representa um caminho de fé, resiliência e confiança. É a prova de que, mesmo quando tudo parece improvável, Deus pode transformar o impossível em realidade.”
A fé atravessa naturalmente sua trajetória. E, da mesma forma, ensinar e competir parecem atividades inseparáveis.
Há 19 anos, Renata é professora de karatê no Tietê Esportiva Clube. E quando fala sobre os alunos, seu olhar muda.
“Ensinar vai muito além de transmitir técnicas. Sou apaixonada por acompanhar a vida e o crescimento dos meus alunos. Muitos começaram comigo antes dos seis anos de idade e permanecem por mais de cinco anos, me dando o privilégio de fazer parte da formação deles e de acompanhar cada conquista, dentro e fora do tatame.”
Os alunos também passaram a fazer parte da forma como ela vive cada competição.
“Tenho uma relação muito especial com meus alunos e com as famílias do TEC. Eles acompanham de perto minha trajetória como atleta e fazem parte de cada conquista. Quando volto com um bom resultado, a comemoração é coletiva. Eles vibram com cada medalha como se fosse deles também, e isso torna tudo ainda mais especial.”
Ao longo da conversa, as medalhas vão ganhando um significado diferente. Elas deixam de representar apenas um resultado esportivo e passam a refletir os valores que o karatê ajudou a construir.
“Mais do que conquistar títulos, meu maior propósito é ser um instrumento de Deus. Quero que, através da minha história, as pessoas possam enxergar que Deus continua fazendo o impossível acontecer. Se eu puder fortalecer a fé de alguém e inspirar pessoas a não desistirem, já terei conquistado algo muito maior do que qualquer medalha.”


